Hospital Canaã · Plano de atividade projetada
Produtividade projetada e plano de trabalho
Estudo de Capacidade Produtiva · Versão 02 · 3 de novembro de 2026
Cenário de referência — programação integrada
A referência institucional é a programação integrada do estudo: 814 internações hospitalares concluídas por mês. Trata-se de projeção de operação estável, não de produção realizada ou meta contratada. A oferta depende de licenciamento, equipes, equipamentos, demanda elegível e pactuação. Enfermarias: 57 leitos clínicos e 35 cirúrgicos, mês de 30 dias e ocupação de 85% para os limites isolados; permanência média de unidade de três dias na clínica e 2,5 dias na cirúrgica. UTI: 30 leitos adultos, ocupação de 80% e média de quatro dias por utilização. Essas médias não impõem prazo individual de alta. Cirurgia eletiva: quatro salas, 12 horas por dia, 26 dias, ciclo de 180 minutos e fator efetivo de 80%; uma quinta sala é reservada às urgências. Tomografia: um aparelho, 16 horas por dia, 30 dias, ciclo de 20 minutos e fator de 75%. Ressonância: um aparelho, 12 horas por dia, 26 dias, ciclo de 60 minutos e fator de 80%. Os cenários conservador e expandido das tabelas são sensibilidades, não a referência adotada.
| Linha de produção integrada | Referência mensal | 12 meses equivalentes |
|---|---|---|
| Internações clínicas concluídas | 480 | 5.760 |
| Internações cirúrgicas concluídas | 334 | 4.008 |
| Internações hospitalares totais | 814 | 9.768 |
| Cirurgias eletivas | 330 | 3.960 |
| Cirurgias de urgência | 70 | 840 |
| Cirurgias totais | 400 | 4.800 |
| Eletivas com alta no mesmo dia, incluídas nas 400 | 66 | 792 |
| Utilizações de UTI, incluídas nas internações | 180 | 2.160 |
| Tomografias | 1.080 | 12.960 |
| Ressonâncias | 249 | 2.988 |
| Primeiros atendimentos no PS | 2.520 | 30.240 |
| Consultas no Day Clinic | 1.689 | 20.268 |
| Pacientes-dia hospitalares | 2.995 | 35.940 |
480 internações clínicas + 334 cirúrgicas = 814 internações. As 334 cirúrgicas compreendem 264 eletivas com internação e 70 urgências. Somadas às 66 eletivas com alta no mesmo dia, compõem 400 cirurgias (330 eletivas + 70 urgências). As 180 utilizações de UTI já pertencem às internações; não são novos pacientes a somar. 484 saídas clínicas + 357 cirúrgicas = 841 saídas de unidade como soma de limites isolados. Esse limite não substitui as 814 internações da programação integrada. Exames, consultas, observação e UTI não devem ser somados para obter um total de pacientes únicos. Os valores anuais representam 12 meses equivalentes de operação estável, sem a rampa de abertura.
Plano de trabalho e cronograma
O cronograma da Proposta reúne seis etapas estimadas em 180 dias, com entregas e condições de aprovação. Os prazos dependem de licenças, recursos, equipes e pactuação; não representam uma data garantida de abertura.
Consultar etapas, entregas e prazos
1 Síntese executiva
O Instituto de Ciências Médicas Canaã propõe organizar o Hospital Canaã como retaguarda hospitalar adulta da rede municipal, com prioridade para condições clínicas e cirúrgicas de baixa e média complexidade, diagnóstico oportuno e continuidade do cuidado. A proposta combina 92 leitos de enfermaria, 30 leitos de UTI adulto, cinco salas cirúrgicas, pronto-socorro e serviços diagnósticos. A oferta de cada recurso depende de implantação, licenciamento, equipe e pactuação assistencial.
O cenário de referência deste estudo permite planejar aproximadamente 814 internações concluídas e 400 cirurgias por mês. As 400 cirurgias incluem 334 pacientes com internação e 66 procedimentos com alta no mesmo dia. Os pacientes que utilizam UTI pertencem às mesmas internações e não são somados novamente. Essa simulação utiliza quatro salas programadas por 12 horas em 26 dias mensais e uma quinta sala reservada para urgências, além das premissas assistenciais detalhadas nos capítulos seguintes.
O mesmo cenário estima 249 ressonâncias, 1.080 tomografias e 1.689 consultas ambulatoriais realizadas por mês. Esses volumes são hipóteses de programação, calculadas com ciclos completos e disponibilidade efetiva. Não representam produção existente, demanda assegurada, metas aprovadas pela SMS ou demonstração de equilíbrio econômico.

| Componente | Cenário mensal de referência | Forma correta de interpretar |
|---|---|---|
| Internações clínicas concluídas | 480 | Episódios hospitalares clínicos, incluindo os que utilizam UTI |
| Internações cirúrgicas concluídas | 334 | 264 eletivas e 70 de urgência |
| Total de internações concluídas | 814 | 480 clínicas mais 334 cirúrgicas |
| Cirurgias realizadas | 400 | 330 eletivas e 70 de urgência; já incluídas nas internações ou na cirurgia de alta no dia |
| Cirurgias com alta no mesmo dia | 66 | Subconjunto das 330 eletivas, condicionado à recuperação e à elegibilidade |
| Utilizações de UTI | 180 | Episódios de unidade, dentro das 814 internações; 720 pacientes-dia |
| Primeiros atendimentos no PS | 2.520 | Incluem a recepção dos encaminhados e os pacientes que serão internados |
| Ressonâncias magnéticas | 249 | Um aparelho de 1,5 T, sem sedação na programação inicial |
| Tomografias | 1.080 | Total de exames hospitalares e ambulatoriais, com prioridade à urgência |
| Consultas no Day Clinic | 1.689 | Quatro consultórios simultâneos como hipótese de distribuição das dez salas |
As condições decisivas para a proposta à Prefeitura são a comprovação física e operacional dos recursos, a identificação das seis UPAs de origem pretendidas, a compatibilidade entre o perfil dos pacientes e as referências disponíveis e o orçamento por centro de custos. A produção estimada demonstra uma possibilidade aritmética de programação. A viabilidade econômica ainda exige custos, preços ou repasses contratuais e demanda elegível comprovada.
2 Base documental e configuração do hospital
Estrutura adotada
A base de cálculo é a configuração de projeto apresentada no site e consolidada pelo proponente: 122 leitos hospitalares, compostos por 57 clínicos, 35 cirúrgicos e 30 de UTI adulto, além de cinco salas cirúrgicas. As posições de observação e ressuscitação do PS são auxiliares e não aumentam esse total.
3 Território de origem e regulação municipal
O Hospital Canaã está na Consolação, região central de São Paulo. A divisão administrativa municipal não define as unidades que poderão encaminhar pacientes.
O mapa reúne quatro UPAs, uma AMA e um pronto-socorro de diferentes regiões. Esses pontos são ilustrativos: não correspondem às seis UPAs da zona sul propostas como origem dos encaminhamentos.
A UPA Vergueiro pertence à Coordenadoria Regional de Saúde Norte; Vila Mariana e Jabaquara, à Sudeste. Localização geográfica e vínculo administrativo são distintos.
A unidade da Avenida Comendador Santana, 774, está cadastrada como AMA Capão Redondo e não deve ser apresentada como UPA sem confirmação oficial.
A proposta prevê apoiar seis UPAs da zona sul, a serem definidas com a Secretaria Municipal da Saúde. A pactuação deverá registrar identificação oficial, território, perfil dos pacientes, demanda elegível e transporte. Proximidade não autoriza transferências.
Conexões com outras regiões dependerão do deslocamento, transporte, gravidade e demanda. Os encaminhamentos seguirão os critérios pactuados com a Secretaria e seu Complexo Regulador, sem distribuição automática de vagas.
Fluxo proposto
No modelo proposto, o Núcleo Interno de Regulação (NIR) do Hospital Canaã informará à regulação do município, em tempo real, o número de vagas disponíveis nas enfermarias e na UTI adulto, apresentado separadamente por tipo de leito.
A disponibilidade será atualizada a cada mudança na ocupação ou na liberação dos leitos, para que a regulação municipal acompanhe as vagas efetivamente disponíveis e organize os encaminhamentos conforme a necessidade clínica de cada paciente. Essa comunicação integrará o fluxo assistencial a ser pactuado com o município.
4 Método de cálculo e cenários
Este estudo separa quatro conceitos: estrutura planejada, capacidade aritmética de um recurso, produção integrada possível e produção efetivamente contratável. A estrutura é a base física descrita; a capacidade resulta de horas, ciclos e disponibilidade; a produção integrada respeita os recursos compartilhados; a oferta contratual depende também de demanda, equipe, orçamento, licenças e regulação.
Para leitos, a capacidade mensal aproximada de saídas de uma unidade é o produto de leitos operacionais, dias do mês e ocupação, dividido pela permanência média naquela unidade. Para exames, consultas e salas cirúrgicas, o cálculo multiplica recursos simultâneos, horas diárias, dias de operação e 60, aplica um fator efetivo e divide pelo ciclo médio em minutos. Essas relações apoiam programação em regime estável; o censo diário continua necessário para medir a operação real.
O ciclo de sala inclui ocupação pelo procedimento, preparo que bloqueia o ambiente, anestesia quando aplicável, saída e renovação da sala. Atividades paralelas podem reduzir o tempo bloqueado, mas sua existência precisa ser comprovada. Tempo de aquisição de imagem, tempo total do paciente e tempo até o laudo são medidas distintas. O referencial da Ebserh é útil para a comparação, não constitui obrigação de produtividade do Canaã.
O fator efetivo é uma hipótese agregada para tempo programado que não se converte em ciclo concluído por ociosidade, indisponibilidade, interrupções, faltas ou cancelamentos. Não será aplicado novamente um desconto genérico de absenteísmo sobre um resultado que já o incorpora. Para cada setor, a implantação deverá substituir esse fator agregado por perdas medidas, sem contá-las duas vezes.
| Cenário | Finalidade | Interpretação |
|---|---|---|
| Conservador | Operação com agenda e utilização menores | Faixa de teste e sensibilidade; não é cronograma aprovado de abertura |
| Referência | Programação intermediária detalhada neste estudo | Hipótese para negociar mix, equipe e custos |
| Expandido | Maior agenda e melhor aproveitamento | Exige comprovação dos recursos e dos limites de segurança |
As ocupações de 75%, 85% ou 90% das enfermarias e de 70%, 80% ou 85% das UTIs são parâmetros de simulação, não limites legais universais nem garantias de segurança. O cenário expandido não é recomendação para manter ocupação de 90% numa rede de urgência sem análise de picos e bloqueios.
Adota-se mês hospitalar de trinta dias. Serviços programados usam 22, 26 ou 30 dias conforme a tabela específica. Os valores anuais representam doze meses equivalentes da agenda mensal, sem rampa de implantação; não são projeções do primeiro ano civil nem cálculos baseados em 365 dias. Resultados de capacidade com frações são arredondados para baixo.
5 Enfermarias clínicas e cirúrgicas
Os 92 leitos devem ser contabilizados como operacionais apenas quando houver ambiente liberado, equipe, equipamento, material e possibilidade real de receber o paciente. Isolamentos, interdições, manutenção ou falta de pessoal podem diminuir essa base. O censo deve distinguir leitos existentes, operacionais, bloqueados, ocupados e disponíveis.
| Unidade e hipótese | Conservador | Referência | Expandido |
|---|---|---|---|
| Leitos clínicos | 57 | 57 | 57 |
| Ocupação clínica simulada | 75% | 85% | 90% |
| Permanência média clínica na enfermaria | 3,5 dias | 3 dias | 2,5 dias |
| Limite aritmético de saídas clínicas | 366 | 484 | 615 |
| Leitos cirúrgicos | 35 | 35 | 35 |
| Ocupação cirúrgica simulada | 75% | 85% | 90% |
| Permanência média cirúrgica na enfermaria | 3 dias | 2,5 dias | 2 dias |
| Limite aritmético de saídas cirúrgicas | 262 | 357 | 472 |
Os resultados acima são limites isolados de unidade. Uma transferência da enfermaria à UTI ou entre especialidades não representa saída hospitalar. O relatório de produção deve separar saídas da unidade de altas, óbitos e transferências externas que encerram o episódio hospitalar.
Na programação integrada de referência, usam-se 480 episódios clínicos com consumo médio de três dias de enfermaria e 334 cirúrgicos com consumo médio de 2,5 dias. Isso corresponde a 1.440 pacientes-dia clínicos e 835 cirúrgicos, com ocupação aproximada de 84,2% e 79,5%, respectivamente. O consumo de UTI é acrescentado em pacientes-dia, sem acrescentar novas internações ao total.
Uma sensibilidade mostra a importância da permanência evitável: mantendo 57 leitos clínicos e 85% de ocupação, passar de quatro para três dias de enfermaria eleva o limite aritmético de aproximadamente 363 para 484 saídas mensais. Esse ganho só pode ser considerado se a alta for clinicamente segura, houver continuidade e a redução não vier acompanhada de mais eventos adversos ou reinternações.
As 35 vagas cirúrgicas não devem ser preenchidas com internações pré-operatórias desnecessárias para elevar ocupação. O pré-operatório ambulatorial, o mapa confirmado e a admissão no momento adequado preservam leitos para recuperação e urgências. A eventual flexibilização clínica e cirúrgica precisa de regras de isolamento, equipe e censo; não foi utilizada para ampliar os números deste estudo.
6 Terapia intensiva adulta
O cálculo preserva três UTIs independentes de dez leitos. A nomenclatura Tipo II ou III é a pretendida no projeto e não comprova habilitação. Os requisitos sanitários de funcionamento e dimensionamento multiprofissional devem ser validados para cada unidade, considerando a RDC 7/2010 e alterações aplicáveis, incluindo a RDC 137/2017.
| Hipótese de utilização | Conservador | Referência | Expandido |
|---|---|---|---|
| Leitos operacionais considerados | 30 | 30 | 30 |
| Ocupação simulada | 70% | 80% | 85% |
| Pacientes-dia mensais | 630 | 720 | 765 |
| Permanência média na UTI | 5 dias | 4 dias | 3,5 dias |
| Episódios de utilização da UTI | 126 | 180 | 218 |
No cenário de referência, os 180 episódios de utilização correspondem a 150 pertencentes à coorte clínica e 30 à coorte cirúrgica. É uma distribuição de carga de trabalho, não estimativa epidemiológica validada. O modelo não prevê mortalidade, benefício terapêutico nem proporção observada de pacientes críticos nas UPAs.
As três unidades devem ser dimensionadas separadamente para plantonistas, rotineiros, enfermagem, fisioterapia e demais apoios. A cobertura de um plantonista para cada unidade de dez leitos representa três postos simultâneos e 2.160 horas médicas de plantão num mês de trinta dias; esse cálculo não inclui todas as funções médicas nem as coberturas de ausência. Não equivale a quadro completo de pessoal.
A saída da UTI exige condição clínica, vaga compatível, transmissão de informações e equipe receptora. Deve ser monitorado o tempo entre aptidão para transferência e chegada à enfermaria. Não se presume que todo paciente de UTI terá somente quatro dias de cuidado intensivo ou que a disponibilidade de trinta leitos eliminará a espera na rede.
Os 30 leitos de UTI representam aproximadamente 24,6% dos 122 leitos hospitalares planejados. Essa proporção exige atenção econômica: manter capacidade intensiva disponível tem custo elevado mesmo com predomínio de procedimentos de média complexidade. A abertura por módulos de dez poderá ser estudada na implantação, preservando o projeto total, conforme necessidade comprovada e equipes completas.
7 Pronto socorro e observação
O PS é parte da linha de cuidado resolutiva: receber, avaliar, estabilizar, iniciar exames e tratamento e definir o destino. Para o cálculo de primeiros atendimentos, adotam-se dois consultórios com médicos disponíveis, funcionamento contínuo e diferentes aproveitamentos. Pacientes graves, reavaliações e observação consomem equipe própria e não estão automaticamente cobertos pela produtividade de consultas.
| Hipótese do primeiro atendimento | Conservador | Referência | Expandido |
|---|---|---|---|
| Consultórios simultâneos | 2 | 2 | 2 |
| Horas por dia e dias por mês | 24 e 30 | 24 e 30 | 24 e 30 |
| Atendimentos por hora de médico | 2 | 2,5 | 3 |
| Fator efetivo | 65% | 70% | 75% |
| Primeiros atendimentos por mês | 1.872 | 2.520 | 3.240 |
A referência de até três pacientes por hora de médico no primeiro atendimento procede da Resolução CFM 2.077/2014 e tem finalidade de planejamento da equipe, com exclusões próprias para ressuscitação e observação. Não é uma obrigação de atender exatamente esse número nem autoriza restringir o tempo necessário a cada caso.
8 Centro cirúrgico e recuperação
Capacidade programada das salas
| Hipótese cirúrgica | Conservador | Referência | Expandido |
|---|---|---|---|
| Salas programadas | 4 | 4 | 4 |
| Horas por sala por dia | 8 | 12 | 12 |
| Dias programados por mês | 22 | 26 | 30 |
| Ciclo completo médio | 210 min | 180 min | 150 min |
| Fator efetivo de utilização | 65% | 80% | 85% |
| Limite de cirurgias eletivas pelas salas | 130 | 332 | 489 |
| Urgências utilizadas na simulação | 40 | 70 | 100 |
| Soma antes do limite de enfermaria | 170 | 402 | 589 |
| Limite após conciliação com a enfermaria | 170 | 402 | 565 |
Os volumes de urgência de 40, 70 e 100 são hipóteses de demanda, não resultados de uma divisão das 24 horas da sala reservada por um tempo cirúrgico. Para os 70 casos de referência, um ciclo ilustrativo de três horas consome 210 das 720 horas mensais dessa sala. A folga existe para variação, casos simultâneos e intercorrências; não deve ser vendida integralmente como agenda eletiva.
O cenário de referência programa 330 eletivas, ligeiramente abaixo do limite de 332, e 70 urgências: 400 cirurgias mensais, equivalentes a 4.800 em doze meses da mesma agenda. O tempo de 180 minutos é uma hipótese de ciclo completo. O manual da Ebserh informa tempos de intervenção diferentes segundo procedimento, incluindo cerca de duas horas para colecistectomia por vídeo e duas horas e meia para hérnia inguinal; esses tempos não incluem automaticamente todo o ciclo de sala.
Uma agenda de quatro salas por dez horas em 22 dias, com o mesmo ciclo de 180 minutos e fator de 80%, suportaria apenas 234 eletivas. Acrescidas de 70 urgências simuladas, seriam cerca de 304 cirurgias. Portanto, a oferta de aproximadamente 400 depende expressamente da agenda ampliada de 12 horas em 26 dias e da equipe correspondente.
Relação com a enfermaria
Adota-se, para simulação, alta no mesmo dia em 20% das eletivas, sem consumo de diária de enfermaria no modelo de recursos. As demais 80% e todas as urgências usam leitos cirúrgicos. No cenário expandido, 489 eletivas mais 100 urgências exigiriam cerca de 491 internações cirúrgicas, acima das 472 suportadas por 35 leitos com 90% de ocupação e permanência de dois dias. O ajuste para 465 eletivas e 100 urgências resulta em 472 internações e limita a produção a 565 cirurgias. O gargalo passa a ser a enfermaria.
O tratamento administrativo ou de faturamento da cirurgia com alta no dia deverá seguir o enquadramento autorizado, inclusive eventual AIH. A separação aqui serve para contabilizar recursos e impedir duplicações; não define o instrumento de registro no SUS.
9 Ressonância magnética
A ressonância de 1,5 T integra o projeto do Day Clinic anexo. O planejamento inicial descrito no site é de exames sem sedação. O número de salas totais do anexo não aumenta o número de aparelhos: utiliza-se uma máquina no cálculo.
| Hipótese para uma RM | Conservador | Referência | Expandido |
|---|---|---|---|
| Horas diárias programadas | 8 | 12 | 16 |
| Dias de agenda por mês | 22 | 26 | 26 |
| Ciclo completo médio | 60 min | 60 min | 50 min |
| Fator efetivo | 70% | 80% | 85% |
| Exames concluídos por mês | 123 | 249 | 424 |
| Equivalente em doze meses | 1.476 | 2.988 | 5.088 |
10 Ambulatório e Day Clinic
| Hipótese ambulatorial | Conservador | Referência | Expandido |
|---|---|---|---|
| Consultórios simultâneos | 3 | 4 | 5 |
| Horas por dia | 8 | 10 | 12 |
| Dias de agenda por mês | 22 | 22 | 26 |
| Ciclo médio de consulta | 30 min | 25 min | 20 min |
| Fator de realização efetiva | 70% | 80% | 85% |
| Consultas realizadas por mês | 739 | 1.689 | 3.978 |
No cenário de referência, o resultado pode ser apresentado como cerca de 1.700 consultas mensais. São atendimentos, não pessoas únicas: o mesmo paciente pode realizar avaliação cirúrgica, anestésica e retorno. O relatório deve identificar primeira consulta, pré-operatório, retorno e consulta após internação, com vínculo ao episódio de origem quando pertinente.
Uma distribuição apenas ilustrativa das 1.689 consultas reserva 600 para triagem e avaliação cirúrgica, 350 para avaliação pré-anestésica, 420 para retornos cirúrgicos e 319 para continuidade clínica após a alta. Essa composição demonstra possibilidade de agenda; não impõe conversão de consultas em cirurgias nem garante consultas à rede antes de pactuação. Deve ser revista com o número real de pacientes, necessidade de retorno e equipe de cada especialidade.
11 Diagnóstico complementar e apoio terapêutico
O centro diagnóstico deve atender primeiro a demanda hospitalar clinicamente indicada e reservar uma agenda externa regulada compatível com o saldo disponível. Uma tomografia ou radiografia feita durante a internação é um exame, mas não um novo paciente hospitalar nem receita adicional automática. A mesma distinção vale para exames solicitados no PS e para procedimentos terapêuticos.
Capacidade de imagem e cardiologia diagnóstica
| Serviço por um equipamento ou sala | Conservador | Referência | Expandido |
|---|---|---|---|
| TC de 128 canais | 604 | 1.080 | 1.920 |
| Radiografia | 369 | 998 | 1.768 |
| Ultrassonografia diagnóstica programada | 158 | 264 | 599 |
| Ecocardiograma programado | 82 | 148 | 285 |
| Eletrocardiograma | 448 | 900 | 1.224 |
As premissas completas estão no Anexo A. Para a TC, as horas produtivas programadas são 12, 16 e 20 por dia, mantendo a proposta de acesso à urgência durante as 24 horas. A capacidade de referência de 1.080 exames resulta de 16 horas por dia, trinta dias, ciclo completo de vinte minutos e fator efetivo de 75%. A velocidade de aquisição do equipamento não corresponde à velocidade do atendimento de todo o paciente.
Para radiografia, usa-se ciclo de quinze minutos no cenário de referência; para ultrassom, trinta minutos. Os tempos de máquina do levantamento da Ebserh ajudam a situar a programação, mas os ciclos aqui propostos incluem etapas locais e permanecem sujeitos a aferição. Os tempos de ecocardiograma e ECG são hipóteses deste estudo, não parâmetros nacionais obrigatórios.
O cálculo presume uma sala ou equipamento para cada linha e equipes compatíveis. Ultrassom e ecocardiograma só podem ser ofertados simultaneamente se dispuserem de aparelho, sala e profissional próprios. Se compartilharem recursos, somam-se os minutos das duas agendas antes de calcular o volume. POCUS no PS ou na UTI é apoio clínico e não foi somado como exame diagnóstico externo comercializável.
Endoscopia e colonoscopia
Considera-se uma sala própria de procedimento, com agenda conjunta de endoscopia digestiva alta e colonoscopia. Na referência, são dez horas por dia em 22 dias, fator de 75% e ciclo médio ponderado de 54 minutos: 40% de endoscopias com ciclo de 45 minutos e 60% de colonoscopias com ciclo de sessenta minutos. O resultado é 183 procedimentos mensais no conjunto, não 183 de cada modalidade.
| Programação conjunta | Conservador | Referência | Expandido |
|---|---|---|---|
| Horas por dia e dias por mês | 8 e 22 | 10 e 22 | 12 e 26 |
| Ciclo médio conjunto | 60 min | 54 min | 48 min |
| Fator efetivo | 65% | 75% | 80% |
| Procedimentos totais por mês | 114 | 183 | 312 |
A sala, os aparelhos, o reprocessamento e a recuperação própria ainda precisam ser comprovados. A premissa é manter recuperação endoscópica independente das seis posições de RPA do centro cirúrgico. Se essa premissa não se confirmar, o modelo deverá ser recalculado com os recursos compartilhados antes de pactuar oferta simultânea.
A RDC 6/2013 prevê recuperação apropriada nos serviços de endoscopia tipos II e III e proíbe recuperação após sedação ou anestesia não tópica fora da sala de recuperação. As dimensões devem ser compatíveis com pacientes e procedimentos. A equipe de sedação e monitorização deverá observar as funções previstas na norma.
As horas de anestesia precisam ser próprias ou conciliadas com o mapa cirúrgico, respeitada a vedação de atendimento anestésico simultâneo pelo mesmo profissional. O volume conjunto de 183 procedimentos não pode ser contratado adicionalmente às 400 cirurgias sem comprovação de equipe, recuperação e processamento compatíveis.
Laboratório
O site prevê laboratório e apoio anatomopatológico, mas não fornece inventário analítico, número de equipamentos, produtividade técnica, capacidade de coleta e horários de cada modalidade. Portanto, não é possível afirmar um teto técnico de exames laboratoriais. A ausência desses dados não deve ser substituída por uma promessa de dezenas de milhares de exames mensais.
É possível simular uma carga de trabalho para solicitar proposta do laboratório. No cenário integrado, 2.275 pacientes-dia de enfermaria e 720 de UTI são as bases de consumo. Aplicando, apenas como teste de sensibilidade, quatro determinações por dia de enfermaria e dez por dia de UTI, obtêm-se 16.300 determinações. Acrescentar quatro determinações em metade dos 1.970 atendimentos do PS sem internação e três em 30% das 1.689 consultas produz aproximadamente 21.760 determinações mensais.
Esses coeficientes são artificiais e servem ao orçamento e à avaliação da capacidade do prestador. Não recomendam painéis diários ou exames de rotina. “Determinação” deve ter definição consistente: um hemograma, seus componentes e uma amostra não podem ser usados indistintamente como a mesma unidade de produção. A solicitação e a repetição de exames dependerão de indicação clínica.
12 Disponibilidade para exames externos
| Exame na referência | Total simulado | Reserva interna ilustrativa | Saldo possível para agenda externa |
|---|---|---|---|
| Ressonância | 249 | 50 | 199 |
| Tomografia | 1.080 | 650 | 430 |
| Radiografia | 998 | 700 | 298 |
| Ultrassonografia | 264 | 180 | 84 |
| Ecocardiograma | 148 | 120 | 28 |
As reservas internas desta tabela são exemplos de alocação, sem validação de demanda. A soma de exames internos e externos precisa permanecer dentro da capacidade de cada linha. Os saldos não equivalem a vagas já autorizadas e devem ser reduzidos quando a urgência exigir mais recursos. O estoque de exames pendentes e o tempo até o laudo também precisam ser limitados.
O valor econômico não pode ser calculado somando um “ticket de internação”, a cirurgia, as diárias de UTI e cada exame sem verificar a composição do contrato. Esses itens podem ser recursos de um mesmo episódio ou componentes já incluídos no financiamento pactuado.
13 Acelera SUS e Passaporte de Saúde
O Acelera SUS Paulistano Emergência é o programa estratégico do projeto. Sua execução no PS, pelo modelo Ação SUS Paulistano Emergência, deve organizar avaliação, diagnóstico e tratamento precoces, com autonomia clínica, protocolos, apoio especializado e resolução de pendências. A assistência urgente começa de acordo com a gravidade, sem aguardar internação ou uma janela administrativa. A tecnologia deverá mostrar o que falta, quem deve agir e há quanto tempo o paciente aguarda.
Os horizontes de 48, 60 ou 72 horas presentes nos materiais institucionais devem ser harmonizados como marcos de acompanhamento da jornada, com definição de início, responsável e conduta diante de pendências. A leitura de origem e os pontos de padronização permanecem no Anexo D. Nenhuma dessas janelas representa prazo obrigatório de alta ou base automática para calcular permanência.
Até a padronização institucional, a recomendação é usar marcos de acompanhamento de diagnóstico, conduta, barreiras e transição, com prioridade proporcional ao risco. As permanências de três dias de enfermaria clínica, 2,5 dias cirúrgicos e quatro dias de UTI são apenas hipóteses quantitativas de consumo. São independentes de uma obrigação de alta no prazo das fases.
Alta e continuidade
O Passaporte deve ser preparado durante a internação, com sumário validado, conciliação medicamentosa, alergias, exames e pendências, orientação compreendida, responsável pelos resultados posteriores e encaminhamento à rede. O cirurgião mantém titularidade nominal e responsabilidade pela alta cirúrgica; o hospitalista realiza cogestão e pode prescrever conforme atribuições formalizadas. A transferência de titularidade exige justificativa, aceite e registro.
O modelo de informação do Sumário de Alta na RNDS foi instituído pela Portaria GM/MS 8.026/2025. O projeto deverá mapear seus campos e os requisitos técnicos publicados no guia da RNDS, com credenciamento e homologação próprios. Alinhamento ao SUS Digital, conformidade com FHIR e aprovação editorial do manual não comprovam conexão produtiva autorizada.
O prontuário hospitalar permanece a fonte oficial. O Passaporte apresenta documentos e informações pertinentes ao cuidado, preservando autoria e versão. Devem existir autenticação, acesso por perfil, rastreabilidade, proteção de dados e alternativa impressa ou assistida. A base jurídica do compartilhamento deve ser definida para cada finalidade, considerando os dados de saúde como sensíveis.
A inteligência artificial poderá apoiar resumo, organização de pendências e alertas após validação e supervisão. Não foi acrescentado ganho percentual de produtividade ou redução de reinternações atribuída à IA. Esses efeitos deverão ser medidos na operação. Nenhum alerta pode substituir a comunicação clínica necessária, e o resultado crítico precisa de responsável e fechamento documentado.

